A grande jornada é para dentro de nós – Música e cura

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A nossa grande jornada é espiritual. Ela começa antes de nosso nascimento. Desde cedo, a partir de nossa gestação, podemos ter uma relação terapêutica com a música. O ambiente cultural, nossa família, as escolhas musicais, influenciam bastante em nossa caminhada rumo ao nosso autoconhecimento. Nesse trajeto, o que ouvimos, seja música ou ruídos, gritos, conselhos negativos, palavras de carinho, tudo nos atinge, nos molda, como seres humanos, pois, o som é ­energia, pode ser positiva ou negativa, ou até neutra, em sua força magnética, seu efeito em nosso corpo e nosso espírito.
A maioria de nós, pobres mortais, vivendo nessa oca globalizada, estamos imersos no mar de futilidades diárias, e nele nos acomodamos. Tem coisa mais tola do que estar em um engarrafamento dentro de um shopping center para comprar presentes de Natal, escutando buzinadas dos carros? Tem coisa mais non sense do que ouvir aquele som nas alturas de alguns carros, que desfilam na nossa rua, bem na hora que queremos dormir?
O texto desta coluna nasceu enquanto ouvia The Planets – Venus, do compositor Gustavo Holst, com a London Philharmonic Orquestra, regida pelo maestro Georg Solti. Bem, nada é por acaso, a minha escuta musical, desde a infância foi invadida, pelo som da vitrola de um vizinho.. Confesso que eu não gostava do que ouvia, por nada entendia. As vozes dos cantores de Carmem, de Bizet, Carmina Burana, óperas que fazia parte da vida do amigo, soavam para mim, estranhas e patéticas.
Tudo se soma, passado, presente e futuro. O que ouvimos enquanto nos hospedamos na barriga de nossa mãe, na infância, na nossa adolescência, depois adultos, e na velhice, constrói o eixo estético que sustenta, nossa formação humana. Tudo que nosso cérebro, conscientemente, ou inconscientemente capta fica tatuado em nossa alma. Na nossa jornada espiritual, nós escolhemos nossa trilha sonora, ou outros escolhem, e sem saber estamos sendo guiados para a bestialidade, para a mesmice, nem percebemos.
Então, gente, já parou para pensar sobre o efeito do que você está ouvindo Tua escolha se limita ao que ouves quando liga o rádio do seu carro ou quando liga algum canal da TV aberta? Por acaso, você busca ouvir blues, jazz, música flamenca, oriental, erudita, celta, árabe, cubana, instrumental, new age, world music, forró pé-de-serra? O universo musical é ilimitado, procuro caminhar em paz na minha jornada interior, apreciando e usufruindo do que é belo na música, ouso mudar de estação de rádio, do lugar onde a música me incomoda, pesquiso, escuto com minha alma, os acordes de uma sinfonia de Beethoven, uma bela canção popular.
Os efeitos e consequências maléficas dessa limitação pertencem a cada um de nós. Se queremos desenvolver nossa escuta musical, que é evolutiva, em termos de qualidade, amplia nossa inteligência musical, eleva nossa alma, sejamos seletivos em nossas audições voluntárias.
Disse o escritor russo, Leon Tolstói, escritor russo, que nos legou obras como Guerra e Paz, Anna Karenina: “Música é a taquigrafia da emoção. As emoções que se deixam descrever com tanta dificuldade em palavras são comunicadas diretamente … na música e nisso reside seu poder e significado ( Apud, A, Bush, Carol, A Música e a Terapia das Imagens, Ed.Cultrix, 1995).

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