Chuva – (In)versos

lilly

Me pediram pra escrever sobre a chuva, sobre as coisas que ela faz renascer ou nascer. Mas, o que sei sobre a chuva é teoria. O que tento explicar aos meus alunos.

Sei o que sinto pela chuva. Sinto prazer pelo que ouço dela. E sei o que me faz lembrar e sentir falta.

Sei que em manhãs de chuva, lembro o quanto sou covarde pelos beijos não dados, as decisões não tomadas, as paixões não declaradas e os amores que não correspondi e que não foram correspondidos, que mandei embora ou pedi pra ficar.

Sei que as tardes de chuva me trazem o quanto brinquei com meu irmão, o quanto nos divertimos e sorrimos em poças d’água, lama, chuva caindo e nossos pais na janela da sala nos vendo ser criança. Cena que me emociona, de uma parte da infância que não quero e nem posso esquecer.

Sei que durante as noites de chuva, te abraço mais forte pra dormir.
E as madrugadas de insônia, ela me faz companhia e consola algum vazio que não sei o motivo, o que ainda me ausenta. E me faz chorar.

Também sei que a sensação de ouvi-las cair no telhado, sempre me trouxe vontade de escrever e escrever enlouquecida sobre todas as coisas. Principalmente sobre as histórias que minha avó contava.

Em tempos de chuva, penso nos grandes laços de amizade. Do pacto de lealdade eterna. Lembro do primeiro beijo dado em alguém que era proibido, que hoje ainda é segredo. Sim, guardo segredo da chuva.

E quando chove os abraços são mais demorados. Não sei por quê.

Lilly Maria.
01/02/2015

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