Educação- Poesia: modo de usar

Por Isadora Goerdt
Professora formada em Letras (Português/Inglês)
Coluna: Educação

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Não há gênero textual mais libertador que o poema. À primeira vista pode parecer um negócio complicado (tem que ter rima rica, rima pobre, verso, estrofe, é soneto?), mas a tal da poesia já se desconfigurou e reconfigurou tantas vezes, que hoje nela cabe tudo. Sei que essa escrita ainda causa medo, por causa daquela formatação que dizia o que é poesia. Mesmo com os modernistas lá da década de 20 revolucionando a literatura e declarando de vez que poema não é só aquele texto com métrica, regras e palavras quase nunca usadas na vida real, os alunos ainda relutam em aceitar que um texto pode sim ser tão aberto. Por isso estou aqui, como professora, tentando desfazer o bicho papão do poema!
Pra começar, poema pode ser música (e quem não gosta de música, oras?), assim fica mais fácil, mais agradável e amigável chegar perto da poesia. Cantar, dançar e desvendar os versos de uma canção é uma aventura que fazemos toda hora e nem nos damos conta. Que tal prestar ainda mais atenção? Na melodia casada com letra, na harmonia, no refrão. Que tal inventar a própria canção, criar e libertar sentimentos bons em som?
Poema é sentimento, pode ser desabafo e libertação. Tanta coisa pesada a gente vai empilhando na mente: os dramas do dia a dia, as dorzinhas ou grandes machucados, indignação e revolta. Tudo isso pode ser limpo se você transformar em poesia, aquela coisa ruim que você viu e não gostou, aquele aperto no peito que alguém deixou em você, vá tecendo versos com esses sentimentos, quando menos esperar o peso maior dessas tribulações estará costurado no papel, e não dentro de você. Mas claro, nem só dor e tristeza podem virar poema. A raiva, a alegria, o contentamento e encantamento, tudo, absolutamente tudo pode ser traduzido num pedaço de papel.
Esse incentivo, de libertar o que se sente em forma de poema, funciona muito bem com adolescentes – seres tão intensos, cheios de dúvidas, aflições, de emocional movido a turbinas! É uma boa ideia canalizar toda essa explosão na poesia, além de tudo, fica o registro, um belo registro de uma fase tão importante da vida.
Poema é cotidiano, é vida real e pode até partir do banal. Você pode transformar frases em imagem, pode inventar palavras, modificá-las e até escrevê-las “errado”, nada é errado na poesia! Aproveite, rime, não rime, explore sua mente. Presenciei textos fantásticos de alunos que torciam o nariz para os versos e rimas, não é difícil tornar-se amigo dela quando se descobre que a poesia é simples. Está em nós, somos nós. Ninguém passa ileso por essa vida, sem topar com a poesia. Crianças, jovens, adultos e idosos, todos tem poder e potencial para deixar as palavras atravancadas na mente fluir pelas mãos, atravessar a tinta da caneta e fixar no papel.

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