Educação – Quem queremos formar?

Isadora Goerdt
Professora formada em Letras (Português/Inglês)
Coluna: Educação

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Quem queremos formar?

Há quem diga que a educação anda mal, anda sim. Há quem diga que o problema são os pais, os filhos, os professores, o país, o governo, mais alguém? Todo o discurso que conhecemos – e que deve sim ser defendido – guardarei por um momento entre o amontoado de provas, livros e papéis reais que se espalham sobre a minha mesa. Mas antes de contar o que vim pra dizer, vou me apresentar para vocês.
Chamo-me Isadora Goerdt, a maioria me simplifica para Isa mesmo (embora minha mãe não goste), sou nativa desta terrinha linda, fiz licenciatura em Letras e hoje leciono Língua Portuguesa, Redação, Literatura e Leitura na Cooperativa Educacional de Imbituba. Já antecipo: nunca exclamei por aí que tenho vocação para essa ou tal coisa, nunca quis ser professora, mas o universo já me dava sinais desde cedo. Nos intervalos e nos últimos dias de aula lá estava eu, ensinando, ajudando meus amigos que estavam prestes a cair na rede da reprovação. Também repetia em pensamento: “não quero sair da escola”. Depois de um tempo as pistas começaram a ficar diretas demais, como quando eu conheci um professor genial e pensei “quero ser colega de trabalho desse cara”, hoje eu sou. Deste ponto pra frente foi um processo natural; a faculdade, os estágios e enfim a sala de aula, de um ângulo diferente, agora sou eu lá na frente. Nunca desejei ser professora, mas a profissão me abraçou, mostrou que ali havia um caminho concreto para o que eu realmente desejava: um mundo melhor. Além disso, meu mundo é colorido, imaginativo, divertido e sou absolutamente livre para depositar tudo isso na sala de aula. É incrível.
Apresentações feitas – e posso dizer que estou encantada em conhecê-los, caros leitores – posso seguir com minhas letras. Quero usar este espaço para o despertar. Que desperte a esperança, a vontade e a criatividade. Quero contar as situações, discutir e refletir sobre o que há de bom na educação – a escolar, não me atrevo a entrar em educação familiar, não por enquanto.
Há poucos anos dizia-se que as escolas deveriam formar cidadãos críticos, que soubessem opinar sobre tudo, que soubessem discordar, argumentar e nunca aceitar qualquer informação sem se perguntar: por que eu devo acreditar? Com os televisores dominando as casas, com as famílias felizes reunidas em frente à TV recebendo todo tipo de informação, esse cidadão crítico foi muito bem vindo. E foi muito coerente que se pensasse na escola como meio de formação para toda essa habilidade em criticar. Porém, quem abrir os olhos para o mundo hoje, vai se deparar com milhares de cidadãos críticos. Na internet habitam de todos os tipos, dos raivosos aos mais brandos e racionais, está lá, um emaranhado de opiniões! Muitos tecendo argumentos nas redes sociais, sem medo das contra-argumentações, dando, doando, recebendo conhecimento. Na sala de aula o espírito crítico continua, não podemos deixar de incentivar o aluno a questionar o mundo, mas a cada dia eles chegam com mais questões sem ninguém lhes mandar perguntar. O cidadão crítico está sendo formado, parabéns aos professores, às escolas, ao mundo que possibilitou formar cabecinhas pensantes. Este fenômeno não pode parar, só evoluir, melhorar e se reconstruir. Mas se esse camarada cheio de opiniões já está conseguindo engatinhar sozinho, que cidadão nós devemos ajudar a incutir no mundo?
O criativo.
Há uma nova era na educação e pouco se tem falado sobre isso. Nas escolas já se discutem métodos para alavancar a criatividade dos alunos; isto porque, com tanta informação ficou mais fácil copiar do que criar. A dependência da criatividade alheia é unânime. Para qualquer atividade instruída por mim que envolva criação, recebo uma pergunta do tipo “posso procurar alguma coisa na internet para me inspirar?”, e isso para desenhos, poemas, redações e imagine, até autobiografias! Estamos nos habituando a usar modelos pré-fabricados e logo este ciclo não deixará espaço para criação, pois, por que vou perder tempo criando, inventando, testando, errando, acertando se há um modelo já desenvolvido para eu me apoiar? Assim vão morrendo a criatividade, os futuros empreendedores, os gênios, os esculpidores da realidade. Mas não se preocupem, há um time inteiro de gente preocupada buscando solucionar essa lacuna do mundo. Nós, professores, estamos encarando uma missão e o processo já pode ser visto, não está só em palavras. Um dos métodos já inseridos nas escolas, como meio de promover a criatividade, é a inserção de gêneros textuais em todas as disciplinas, são cartas escritas para grandes matemáticos, poesia na Biologia e até crônicas em Química e Física.
Pode até ser um palpite, mas acredito que a escrita ainda vai nos auxiliar muito no processo desse cidadão criativo. Aqui já exercito um pouco meu lado, porque se não houver professor criativo não haverá aluno que crie. Fica a proposta aqui, invente, produza; uma receita, alguma arte, um texto, uma brincadeira nova, mesmo se você não for estudante nem professor, a criatividade é bem vinda de todos.

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