Música e Cura – A voz de alguém que canta, parte II

Por Zeh Rocha – Jornalista, professor, musicoterapeuta.

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Lembro-me do tempo, em que iniciei a cantar no grupo Flor de Cactus, várias canções de minha autoria, começaram a ser gravadas por Lenine, Elba Ramalho, por um excelente grupo vocal, o Céu da Boca, depois, o Boca Livre. Nesse tempo, alguns me desestimularam a cantar, por preferirem, evidente, que o Lenine cantasse. Tudo se resolveu, tanto eu, como meu parceiro, continuamos cantando, “eles“, todos meus queridos críticos, hoje, se calaram, não se dedicam a música,
Existem verdades que emocionam, os gostos musicais são diferenciados. Mas, uma coisa é importante refletirmos: Com o avanço da tecnologia digital de gravação de áudio,  vozes  são  fabricadas,falsificadas. O que o público consome pensando serem verdadeiras, autênticas, é um falso brilhante. Nada como um show ao vivo, para avaliarmos bem, o valor estético de uma voz, sua potência. Um atributo da voz humana é a beleza de seu timbre, de sua expressividade técnica aliada à emoção.
Mas, o que é o Belo na arte? O conceito do que é Belo é bem amplo, universal, local, humano, portanto, passível de infinitas imperfeições, variadas definições estéticas. Aqui entramos no campo da educação musical no Brasil, na carência do ensino da Música, especificamente, solfejo, canto coral, harmonia, técnica vocal, etc… Essa é outra questão, que merece ser esmiuçada, em outra ocasião, com maior profundidade.
Precisamos transcender todos os limites da questão. O que torna uma voz ser conceituada de bela ou feia? O que importa é que cada pessoa aceite a sua voz, não desvalorize um bem sagrado, a voz. Importante como usar ferramentas indispensáveis para o aprimoramento de sua emissão vocal, que são os exercícios de aquecimento vocal, vocalizes,respiração ( clavicular, diafragmática, costoabdominal ) , percepção de ritmo, e auditiva.
Como professor de canto, me importa tratar a todos com atenção, sem privilégios, com respeito, cuidados e critérios técnicos, auxiliando os que possuem limitações, dificuldades, tais como falta de concentração nos exercícios, timidez diante da exposição de sua voz ao grupo que participa ansiedade em ter resultados imediatos, por exemplo: cantar em pouco tempo.
Nos últimos dois anos, morando em Imbituba, me dediquei a dar aulas de técnica vocal a crianças, adolescentes, adultos.  Ministrei  aulas de técnica vocal ,em 2014 e nesse ano, no Museu Willy Zumblick, no Creas-POP,na igreja de São Brás, para crianças, no salão paroquial da igreja católica da comunidade da Vila Pe.Itamar, todos os lugares localizados na cidade de Tubarão-SC , na Music Art, Escola do Professor Liu, e no Instituto Técnico de Santa Catarina-IFSC, em Campo Duna-Garopaba, para mais de trinta jovens. Aqui, em Imbituba, pelo projeto Contém Cultura, tive a alegria de ter contato com crianças, alunos do Colégio Henrique Lage, dentro da Oficina do Corpo Sonoro.
Tenho aprendido muito no trato com esses alunos e suas vozes das mais variadas, encontrando algumas pessoas talentosas, com voz privilegiada, no entanto, com problemas de respiração; outras pessoas cheias de dificuldades quanto a percepção musical, que não conseguem afinar após meses de aulas. Todos me motivam a trabalhar.
Cantar é uma entrega de alma aliada a toda técnica vocal que for possível utilizar, para emocionar o ser humano. Quando cantamos, cada nota deve ser sentida e emitida corretamente, na sua frequência acústica precisa, definida em decibéis, Adquirir essa técnica, exige esforço, concentração nos exercícios vocais durante uma aula.

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