Recado para o Nando – Crônicas do coração

samm
Não, eu não te desculpo por estar um pouco atrasado. Um pouco é muito tempo pra um coração aflito. Quem gosta de verdade, chega adiantado e ainda trás uma trufa de morango pra conquistar. Se você sabia que estava errado, porque o fez? É tão mais fácil pedir desculpas do que evitar o erro, não é mesmo? Ainda bem que me entende.
Minhas queixas são justificáveis sim, ao contrario dos seus erros, dos seus atrasos e dos seus egoísmos. Porém, não me queixo mais. Assim como a falta que fez essa semana já passou, não faz mais. Porque, querido Nando, até uma criança consegue entender que quando queremos alguém, simplesmente não nos deixamos fazer falta.
Não sei por onde andou enquanto eu te procurava e já não faço mais questão de saber. Também não sei se você sabe que sou tudo aquilo que lhe faltava, porém se descobrir, vou apenas lamentar. Pois se faltava, continuarei faltando. E como você mesmo disse “a falta é a morte da esperança”, mas não somente dela, a falta mata a paixão. A paixão nasce com o cheiro, o toque, a voz, a presença. A paixão – e a esperança – não sobrevivem dentro de duas almas distantes.
E todas as experiências de perca nos deixam dolorosas lembranças. Nos mostram a fragilidade da vida diante da eternidade do amor. É isso que você me deixou, além das roupas penduradas.

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