Sagrado Feminino – Ô de casa, ô de fora!

Peço sua licença para me apresentar:
Sou Tailu, das bandas de Garopaba, acostumada com o vento que descabela na primavera. Assentei-me em Imbituba por forças da vida e ainda me acostumo com o vento que descabela, enche os olhos de areia, levanta a saia e se bobiar carrega o chinelo embora. Ainda bem que eu gosto de vento. Tenho dois grandes mestres, que em troca de infinita sabedoria me exigem sangue, suor, leite e lágrimas. Vale cada gota. Pacto eterno, selado nos seus partos. Sou súdita e também sou mestre, coisas do amor.
20151113_134302Pretendo aparecer por aqui de vez em quando para jogar conversa dentro, falar de gente, de planta, de céu e terra. Quantos mistérios habitam esses elementos! Tanto gente como planta são seres que vivem na terra a olhar o céu. Não parece absurdo o exercício de enxergar na terra nossa grande mãe e no céu o grande pai. Ela gera, sustenta; ele guia, dá energia. Tudo na vida tem duas polaridades como o yin e yang, assim são o feminino e masculino. Vivemos um longo período de desarmonia onde a energia masculina de luta pelo poder, pensamento prático e inteligência objetiva são a regra. Durante os milênios de supremacia patriarcal refletida nos valores espirituais, sociais, comportamentais e políticos, foi negada e reprimida qualquer manifestação da energia feminina, e exemplarmente demonizada quando relacionada à divindade.
É importante entender que esses dois polos, feminino e masculino, são em essência complementares e existem em qualquer ser, seja homem ou mulher e que só o equilíbrio dessas forças pode trazer a harmonia.
É hora de despertar para o Sagrado Feminino. De retomar a outra face que ficou esquecida ou distorcida. Ao esperar respostas e soluções vindas do céu, esquecemos de olhar para baixo e ao redor, esquecemos sobre responsabilidade, cooperação e respeito. Assim nos desconectamos da terra e chegamos ao ponto em que estamos. O reconhecimento do Sagrado Feminino deve ser uma busca de todos, embora caiba às mulheres uma responsabilidade maior, devido a nossa ancestral e profunda conexão com os arquétipos, atributos, faces, ciclos e energias da grande mãe.
A mulher que adentra o terreno misterioso do Sagrado Feminino desperta a consciência do amor e respeito por si mesma. Esse é o primeiro passo de um processo de empoderamento que passa por compreender e aceitar seus ciclos como menarca (1ª menstruação), gravidez e menopausa. Ao conhecer seu corpo e sua natureza a mulher se liberta do papel de vitimização e auto-sabotagem e toma uma posição de sabedoria e poder. E no encontro com outras mulheres se potencializa, cria redes de apoio mútuo. Pois tendo deixado para trás o conceito forçado de competição, a mulher descobre na outra uma irmã.

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